domingo, 18 de março de 2012

"A vida é curta, pra ser pequena amor, não vale a pena reclamar..."

Album: Hoje de Noite (2008)
Artista: Moinho da Bahia ( Emanuelle Araujo [Vocais], Lan Lan [Percussão] e Toni Costa [Violão e Guitarra] )
Gênero: Samba
Gravadora: EMI
Tracklist:
1 - Esnoba  3:10
2 - Ela Briga Comigo  3:14
3 - Carnaval (Deu Doizinho)
4 - Baleia da Sé  2:41
5 - O Vento e o Moinho  2:57
6 - Hoje de Noite  3:15
7 - Doido de Varrer  4:13
8 - É Fim de Semana  4:06
9 - Na Lapa  3:03
10 - Sai Mané  3:04
11 - Saudade da Bahia  3:30
12 - Xangô  7:38

 Já tem tempo que eu escrevo e estou em falta de colocar algo tipicamente brasileiro aqui. E se falando de tipicamente brasileiro o que primeiro me vem a cabeça é samba. Ao menos São Paulo, Rio e Bahia, tem uma bela demonstração de identidade nas linhas do samba. E é sobre um regado samba baiano que venho lhes falar hoje.

 O Moinho da Bahia é um grupo de samba que faz uma mistura entre os ritmos e temas baianos, com o samba carioca. Dado a capacidade, o grupo contou com o apoio e composições de grandes nomes como Ana Carolina, Moraes Moreira, Nando Reis, entre outros. Com uma conversa popular e uma música animada, o Moinho primeiro conquistou espaço nas novelas e depois nos grandes centros de samba, como a Lapa no Rio, bares de samba na Bahia, festivais, entre outros.

 Hoje de Noite, é um disco que tem tudo que o samba pede e ainda um toque de modernidade. Podendo ser considerado um samba estilizado, dado o toque pessoal do grupo. Uma interessante questão a respeito do disco é que a progressão das faixas é como uma viagem, que sai da Bahia e vai para o Rio, e assim as músicas vão se construindo conforme as peculiaridades regionais de cada estilo de samba, começando tipicamente baiano e terminando tipicamente carioca. Basta ouvir os batuques de carnaval em "Esnoba" , "Ela Briga Comigo" e "Carnaval", que você já se sente nas ruas da Bahia, mas com o fim se aproximando, os batuques vão dando lugar a arranjos de slide e noitadas na Lapa e você termina por se sentir nas ruas do Rio de Janeiro. Um destaque especial as faixas "Esnoba", "Doido de Varrer" , "Na Lapa" e "Xangô". Curiosamente a faixa mais fraca, em minha opinião, do disco é a faixa título "Hoje de Noite", sendo que esta teve participação de Nando Reis. Vai ver uma falha de comunicação.



 Um amigo me sugeriu de começar a colocar alguns links de vídeos para vocês terem uma prévia do som do disco, então a partir de hoje segue sempre um link do youtube com um som para vocês ouvirem, espero que gostem.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Anderson Silva: Como Água (2011)



Gênero: Documentário
Título Original: Like Water (EUA)
Ano: 2011
Estréia: 16 de Março
Diretor: Pablo Croce
Roteiro: Ramon Lemos, Lyoto Machida, Damaso Pereira, Ed Soares
Elenco: Anderson Silva, Jose Aldo, Junior dos Santos, Ramon Lemos, Lyoto Machida, Damaso Pereira, Ed Soares










 "O lutador, deve ser como a água. A água quando em uma garrafa, tem a forma da garrafa. A água quando em uma bacia, tem a forma da bacia. A água tem a forma de seu recipiente e é capaz de grande destruição." É com essa citação de Bruce Lee que o documentário a respeito de Anderson Silva, o maior lutador da atualidade, começa.

 O documentário retrata a época mais polêmica e carregada da carreira de Anderson Silva, que após sua luta em Abu Dhabi, onde se recusou a finalizar seu oponente, encontrou hostilidades da parte de Dana White, o Diretor Geral do UFC. Além disso, Anderson "Spider" Silva, tem marcado uma defesa de cinturão contra Chael Sonnen, lutador americano que agride a imagem de Anderson na mídia e promete que irá derrotá-lo. A luta marcada inflama o coração dos amantes do UFC, enquanto a mídia agita ainda mais as tensões e a questão de ser uma oitava defesa de cinturão da parte de Anderson Silva, na época um recorde no UFC.


 O filme é focado na preparação de Anderson Silva e suas reações perante as ameaças e difames vindo de Sonnen. Anderson, um homem religioso e apegado a família, mostra o valor que dá a seus companheiros, o manager Ed Soares e seus preparadores, assim como a amizade forte com o lutador Minotauro. O treinamento nos EUA, e os 60 dias de preparação para a luta são acompanhados.

Contando com algumas poucas cenas confusas, onde o áudio é incompreensível e não parece mostrar coisa com coisa. Os treinamentos são apresentados de perto e as orientações a Anderson também, embora pessoas com pouco conhecimento sobre artes marciais não irão compreender bem o que se passa. Os bastidores do UFC também são apresentados, mas novamente é requerido um conhecimento prévio para a compreensão. O filme tem uma mensagem de resistência e força de vontade, da preparação não só física, como também mental (as entrevistas de Anderson, suas reações a mídia e as justificativas das respostas são mostradas). Essa mensagem é interessante para aqueles que buscam paixão no esforço dos lutadores e em sua superação das adversidades.


 Uma opção interessante para quem quiser se aproximar mais do UFC. Talvez com algumas pesquisas e leituras adicionais uma pessoa poderia entender muito bem o filme e os acontecimentos ao arredor da luta. E também, um filme para se conhecer melhor o campeão Anderson "Spider" Silva. Talentoso, capaz e poderoso, um lutador como a água. Segue o trailer:



domingo, 11 de março de 2012

"I keep my mouth shut from the start"

Album: The Secret Life of... (2005)
Artista: The Veronicas ( Jessica Origliasso e Lisa Origliasso )
Gênero: Pop Rock
Gravadora: London Records
Tracklist:
1 - 4ever  3:30
2 - Everything I'm Not  3:24
3 - When it All Falls Apart  3:15
4 - Revolution  3:07
5 - Secret  3:34
6 - Mouth Shut  3:39
7 - Leave Me Alone  3:31
8 - Speechless  3:58
9 - Heavily Broken  4:17
10 - I Could Get Used to This  3:16
11 - Nobody Wins  3:53
12 - Mother Mother  3:07

Estava na hora de um pop mais moderno por aqui. Embora eu não seja muito sintonizado no mundo do pop recente,  reconheço que há trabalhos interessantes que sempre surgem por ai. Conheci algumas músicas  por causa de uns filmes e um pop que particularmente me cativou, por sua criatividade e competência foi a dupla a qual lhes falo.

 The Veronicas é um dupla australiana de pop rock formada pelas irmãs gêmeas, musicistas e estilístas, Jessica e Lisa Origliasso. As irmãs se aliaram a Haydem Bells, do Bell Hughes Music Group que as instruiu e as treinou para o mundo musical. Estudando com produtores que trabalham até mesmo com Madonna. Além da música, as irmãs se tornaram populares por fazerem parte de entidades de proteção a animais e direitos artísticos.



 O primeiro disco das irmãs, The Secret Life of..., foi um estouro e muito bem recebido pela industria australiana. Chegando as primeiras colocações do ARIA Charts (uma espécie de Billboard australiana) e permanecendo entre os top 40 por vários meses. O disco traz um pop bem trabalhado com um rock n' roll mais rítmico e bons arranjos. Os temas são jovens, alternando entre adolescentes e alguns um pouco mais maduros. O som é animado, com algumas poucas faixas melancólicas. Dentre as faixas, 4 se destacaram como singles: "4ever", "Everything I'm Not, "When it all Falls Apart" e "Leave me Alone". Destas recomendo as 3 primeiras como bons exemplos da capacidade das meninas. Além dessas uma faixa bastante curiosa é a última, "Mother, Mother" onde a letra é uma ligação de uma menina, que está vivendo sozinha, para sua mãe, e como a menina diz, é uma ligação para acalmar os nervos apenas. É curioso pois eu moro sozinho em uma republica de estudantes e percebi que as mesmas coisas que ela fala com sua mãe são as coisas que falo com a minha, sem a parte onde a menina diz estar passando apertos. Realmente uma música criativa.

 Um bom som moderno, prova de que nem tudo que está surgindo na industria da música é fraco. Espero que gostem.


domingo, 4 de março de 2012

Direto da Alemanha, com vocês...

Album: Hart Genussen Von ABBA bis Zappa (2009)
Autor: Panzerballet ( Jan Zehrfeld, Joe Doblhofer, Alexander von Hagke, Heiko Jung, Sebastian Lanser)
Gênero:  Fusion
Tracklist:
1 - The Simpsons  5:56
2 - Bird Wild Web  3:26
3 - Jadoo  3:44
4 - Mein Teil  5:58
5 - Gimme, Gimme, Gimme  4:09
6 - Kulturzeit  4:18
7 - The Mediterranean Breeze  8:33
8 - Ein Bisschen  Frieden  3:07
9 - Weary Eyes  6:20
10 - Zappa Medley From Hell - Pt.1  3:27
11 - Zappa Medley From Hell - Pt.2  8:03

 Música é algo maravilhoso que nos proporciona alegria e conforto, e é sempre muito bom quando ouvimos aquilo que gostamos, que já conhecemos. Mesmo quando não conhecemos, quando ouvimos muito,  acabamos prevendo o desenvolver de alguma música ou outra, porque esta segue uma lógica. O Fusion que venho lhes falar, não funciona assim.

 Imagine que você ouve a vibração dos acordes de guitarra e já espera que venha em seguida algum solo, mas ao invés disso você se depara com uma mudança de ritmo e é apresentado a um saxofone, ou um trombone. Eis o Fusion, uma mistura de estilos que busca criar uma nova atmosfera de música e um novo leque de possibilidades dentro das características de dois ou mais estilos. E é ai que surgem bandas como o Panzerballet.





O Panzerballet é uma banda alemã recente, formada pelo peculiar músico Jan Zehrfeld, um exímio guitarrista e estudante de jazz com dreads (ou rastafari, sei lá o nome certo disso)  no cabelo, amarrados com cabos elétricos de instrumentos. O grupo surgiu com uma promessa de Fusion misturando o Jazz com o Heavy Metal e as constantes idéias de extavazamento de raiva de Zehrfeld. Para mostrar que funciona, resolveram gravar temas de tv e músicas de sucesso de outros grupos. O grupo é versátil e fica difícil classificar os músicos por instrumentos dado a quantidade que cada um toca sem falar no número de arranjos. Estes últimos são outra marca do grupo que tem admiração por um músico que talvez seja o maior arranjador da história da música popular, o lendário Frank Zappa.

 O disco o qual lhes falo é uma obra recente do grupo que traz entre as faixas próprias, curiosidades como o tema dos Simpsons na versão fusion do grupo. Há também covers de Ramstein ("Mein Teil"), ABBA ("Gimme, Gimme, Gimme") e o mais interessante, um medley (um conjunto de trechos de músicas dentro de uma música só) de músicas de Zappa. O disco presa mais pelo instrumental contendo poucas linhas de vocal, e o ritmo alterna entre a velocidade do heavy metal e o balanço frenético do Jazz. Embora bem diferentes dos originais, os covers não são descaracterizados e é possível reconhecer facilmente a música sem olhar o título. O grupo não é muito conhecido fora de festivais europeus mas é conhecido na internet e admirado pelas brincadeiras e inovações com os temas famosas.O disco ficou famoso no mainstream do Jazz, alcançando a 25º nos seus charts.

 Uma banda admirável com uma proposta de ao invés de trazer conforto, mexer com sua imaginação e te mostrar novas possibilades antes não conhecidas na música. Espero que gostem.



domingo, 26 de fevereiro de 2012

"See you on...."

Album: The Dark Side of the Moon (1973)
Artista: Pink Floyd ( Roger Waters [Baixo e Voz], Nick Mason [Bateria], Richard Wright [Teclados], David Gilmour [Guitarra e Voz] )
Gravadora: Capitol Records
Gênero: Rock Progressivo
Tracklist:
1 - Speak to Me/Breathe  3:57
2 - On the Run  3:35
3 - Time  7:04
4 - The Great Gig in the Sky  4:47
5 - Money  6:22
6 - Us and Them  7:50
7 - Any Colour You Like  3:25
8 - Brain Damage  3:50
9 - Eclipse  2:01

 O Pink Floyd é uma banda britânica, nascida em Cambridge, que se tornou um dos grupos mais simbólicos e populares da história da música popular. Com uma música progressiva delicadamente bem construída e os temas psicodélicos, eles se tornaram um objeto de estudo não só de curiosos pelas mensagens, mas também de acadêmicos da música. O grupo também é um dos mais bem sucedidos comercialmente e foi introduzido na calçada da fama em 1996. Ao contrário do que muitos pensam, o nome Pink Floyd não deriva de uma droga, mas sim é uma homenagem a dois artistas do blues, admirados pela banda, que se chamam Pink Anderson e Floyd Council.


 Em 1973 o Pink Floyd fez história com o disco The Dark Side of the Moon, , que foi um fenômeno em sua época e hoje está entre as obras mais importantes da história do Rock e da música popular. O disco traz como tema o stress do dia a dia e os pensamentos sobre dinheiro, tempo, morte e guerra. Com uma sonoridade progressiva, o disco tem uma construção contínua, sendo que as músicas dão introdução uma a outra. A base do blues rock é enfeitada com arranjos psicodélicos e de música eletrônica. As linhas vocais são completadas pelas linhas de guitarra que são mais soltas e não tão viciadas em riff's. Um clima envolvente faz parte deste disco que traz faixas calmas como "Speak to Me/Breathe", ou faixas mais marcantes e pesadas como "Time" e "Money". Mas o ponto alto dos disco está nas 4 últimas faixas que tem uma continuedade entusiasmante. Embora acima coloquei poucos instrumentos a frente do nome dos integrantes, na verdade, o número de arranjos e instrumentos diferentes que foram tocados pelos integrantes é enorme.


 Uma curiosidade. Pra quem curte uma carnaval diferente, vai ai uma sugestão. Na cidade de Pedralva, em Minas Gerais, próxima a Itajuba, existe um evento chamado Carnawall, feito pelo Bloco Pink Floyd, que ocorre na terça-feira de carnaval. Feito por fãs da banda, o evento reúne diversas bandas de rock e um cover consagrado de Pink Floyd e propõe um carnaval diferente, com bastante rock n' roll , agitação e, é claro, Pink Floyd. Eu tive a felicidade de participar este ano e curti muito o evento, que além de muito legal e cheio de boa música, trouxe um ambiente pacífico e cheio de amizade. Pra quem quiser conferir, a EPTV de MG tem uma matéria sobre o Carnawall, basta clicar aqui para conferir. Espero que gostem como eu gostei.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

"There's a Wise Old Tale, About the Same Old Hell"

Album: Chickenfoot III (2011)
Artista: Chickenfoot (Sammy Hagar [Voz e Guitarra], Joe Satriani [Guitarra], Michael Anthony [Baixo] e Chad Smith [Bateria])
Gravadora: Redline Entertainment
Gênero: Rock n' Roll
Tracklist:
1 - Last Temptation  4:02
2 - Alright Alright  4:39
3 - Different Devil  4:24
4 - Up Next  4:33
5 - Lighten Up  5:12
6 - Come Closer  4:08
7 - Three and a Half Letters  4:07
8 - Big Foot  3:49
9 - Dubai Blues  5:02
10 - Something Going Wrong  5:16
11 - No Change  4:24

 Já ouviram falar em superbandas ? São aquelas bandas que recebem esse nome por serem formadas por integrantes que já são consagrados de outros carnavais. Basta olhar os integrantes do Chickenfoot que vocês já entendem o porque de superbanda. Pra aqueles de menos conhecimento geral do Rock n' Roll, Sammy Haggar é ex-integrante do Van Halen e foi descoberto pelo lendário Frank Zappa. Joe Satriani é um virtuose que ensinou músicos como Steve Vai, Kirk Hammet (Metallica), dentre outros. Michael Anthony também é um ex-Van Halen e Chad Smith é o baterista do Red Hot Chilli Peppers. Se nada disso faz um sino tocar em suas cabeças, vão estudar crianças. Enfim o Chickenfoot surgiu das brincadeiras e jam sessions feitas por Hagar, Michael e Chad no clube do primeiro, no México. Quando indagados se sairiam em tour, eles resolveram chamar Joe e formaram o Chickenfoot. A banda teve uma boa estréia, com primeira colocação nas paradas independentes.


 O disco Chickenfoot III veio em 2011, agravando ainda mais o sucesso do grupo. Com um Rock n' Roll virtuoso, moderno, cheio de efeito e arranjado, o disco traz uma série de curiosidades. É como se as bandas dos quais os integrantes fizerão parte estivessem tocando juntas. Acontece que assim que o disco começa, a primeira faixa "Last Temptation" é a cara de Joe Satriani e do que ele costuma fazer, até que Sammy entra e parece que temos o Van Halen em palco, por fim Chad vem e traz aquele beat funkeado, típico do Red Hot e eis ai o que é o som do Chickenfoot. Animado e com frases marcante o disco vai seguindo, com temas como a vida americana, a vida no subúrbio e a bagunça que esses caras costumam gostar de fazer. Destaco "Different Devil" como uma faixa realmente interessante, com uma pegada mais calma e mais séria.

 Uma banda fabulosa com músicas de outro nível. Espero que gostem assim como eu gostei.


domingo, 5 de fevereiro de 2012

"It's a boy Mrs. Walker, It's a boy..."

Album: Tommy (1969)
Autor: The Who ( Pete Townshend [Guitarra], Roger Daltrey [Vocais], John Entwistle [Baixo] e Keith Moon [Bateria] )
Gravadora: Polydor Records
Gênero: Rock
Track List:
1 - Overture  5:21
2 - It's a Boy  0:38
3 - 1921  2:49
4 - Amazing Journey  3:24
5 - Sparks  3:46
6 - Eyesight to the Blind (The Hawker)  2:13
7 - Christmas  4:34
8 - Cousin Kevin  4:07
9 - The Acid Queen  3:34
10 - Underture  10:09
11 - Do You Think It's Alright ?  0:24
12 - Fiddle About  1:29
13 - Pinball Wizard  3:01
14 - There's a Doctor  0:23
15 - Go to the Mirror  3:49
16 - Tommy Can You Hear Me ?  1:36
17 - Smash the Mirror  1:35
18 - Sensation  2:27
19 - Miracle Cure  0:12
20 - Sally Simpson  4:12
21 - I'm Free  2:40
22 - Welcome  4:34
23 - Tommy's Holiday Camp  0:57
24 - We're Not Gonna Take It  7:08

 O The Who é um grupo británico de Rock n' Roll com inclinações voltadas para o pop e um temática sobre revoltas e sentimentalismo. Uma banda sensacional muito capaz de vários arranjos ainda não vistos em sua época e considerado uma das bandas mais dinâmicas em palco. Os integrantes do Who foram os primeiros na arte de destruir instrumentos após os shows, o que se tornou meio que um ritual para bandas de rock posteriores. Entre as façanhas deste grupo que marcou a história da música está a popularização das obras conhecidas como Ópera Rock, termo que até então não era utilizado. É sobre esta Ópera Rock que venho lhes falar.

 Entendam, Tommy não é apenas um albúm, Tommy é a primeira Opera Rock consagrada no mundo e precursor de todo o estilo e inspiração para um sem número de trabalhos . Este disco é bom, e por bom vejam que não falo do simples "bom", mas sim daquele "sensacional-impressionante-Ó meu Deus do céu o que eu acabei de ouvir ? - bom ". O enredo conta a história do garoto Tommy, cujo pai foi dado como morto na guerra, mas retorna e descobre a esposa junto a um amante. Levado pela ira, o pai mata o amante, tendo a mãe como cumplice e Tommy assiste toda a cena através do reflexo de um espelho. Os pais chegam ao filho e o convencem que ele não viu nada, não ouviu nada e não falará nada. O menino se torna cego, surdo e mudo como consequência. Dado sua condição o garoto sofre abusos dos parentes próximos e encontra abrigo no gosto pelo pinball, videogame o qual ele se torna um jogador lendário. A vida de Tommy muda quando ele encontra um médico que o coloca em frente a um espelho e percebe que o garoto é capaz de ver o próprio reflexo e quando o espelho é quebrado pela mãe o garoto se cura milagrosamente e a história se espalha o tornando algo como um messias. O garoto então se põe a frente de um culto que procura orientar os integrantes em busca da luz, assim como Tommy há havia encontrado.

  As faixas contam a história do garoto e suas sensações conforme os abusos e a busca da verdade. Não é possível separar este disco em singles. O disco foi feito para ser ouvido do começo ao fim, da mesma forma que se assisti um filme. As faixas seguem uma progressão ininterrupta e são repletas de arranjos criados pelo guitarrista Townshend, arranjos de violão e guitarra principalmente. Não há muitos instrumentos presentes além do básico que o Who dispunha, contudo a criação harmônica e melódica deste disco o coloca entre os melhores discos do mundo e uma verdadeira obra prima moderna. O som é um rock n' roll mais pop, com vocais com bastante cor e temas que se repetem meio que como um motivo para a opera.

 Este disco não requer palavras, requer apenas uma tranquila tarde para se sentar e ouvi-lo do começo ao fim. Tommy é mais que uma distração, é uma experiência, uma viagem, algo como sentar no coló da vó e ouvir uma história. Sem mais, este disco é fundamental para a história da música. Espero que gostem.